"E se as histórias para crianças passassem a ser de leitura obrigatória para os adultos? Seriam eles capazes de aprender realmente o que há tanto tempo têm andado a ensinar?"
Saramago

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

I


O Caminho faz-se andando


(liberdade)




Da sua janela, a patinha Laura observava os carneiros em frente à manjedoura. Manuel, o Chefe dos carneiros, gritava:


- Os animais unidos não serão vencidos. Faremos greve. Temos direito a ter a manjedoura cheia.
Os carneiros repetiam em coro as palavras de ordem do chefe Manuel.
Laura já tinha ouvido falar de uma quinta longínqua, onde os animais se revoltaram contra os humanos e tomaram conta do poder da quinta, mas também sabia que, no meio desta revolução, os porcos tinham tomado o poder da quinta e que, com o passar dos tempos, já não se distinguiam dos humanos...
Agora era a sua quinta que estava incendiada. Havia Coelhos que tinham arrecadado em tocas muito distantes e escondidas quase toda a comida. Por isso, na quinta não havia mais que comer. Desesperados os coelhos, porque achavam que o que haviam arrecadado era pouco, propuseram-se ao comando da quinta. Prometeram, então, que tudo voltaria à normalidade e que todos os animais teriam novamente que comer, mas teriam que ser eles os chefes.
Vendo que os Coelhos não cumpriam a sua promessa, os habitantes da quinta revoltaram-se. Manuel, lá pensou que alguma coisa teria que ser feita. Torna-se, assim, chefe dos carneiros que se vão opor aos coelhos, repetindo cegamente as mesmas palavras que outrora os animais proferiram na revolta contra os humanos e, fazendo exactamente o mesmo que os porcos fizeram, torna-se ele um chefe...
Laura era uma patinha endiabrada. Este estado de coisas não lhe agradava, uma quinta sem chefes, e sobretudo sem pitt bull, as bestas que estavam ao serviço dos coelhos era o seu sonho.
Laura vai até ao sobreiro onde era costume estarem os outros patos.
- Olá companheiros! Está uma grande confusão na quinta. Os coelhos soltaram os Pitt Bull. O chefe dos coelhos anda com uma grande sacola a tirar todo o resto de comida que ainda há na quinta. O chefe dos carneiros, o Manuel, está aos berros junto da manjedoura. Mais acima está o Francisco a apregoar a meia dúzia de galinhas.
- Heheheheeh – riam os outros patos – hehehhehehe.
- Uma quinta sem Pitt Bull é que era – diz Laura, com ares de sonhadora – o raio do cão é uma besta.
- Laura, tens umas ideias estranhas. Como nos vamos livrar do Pitt Bull?
- Temos que pensar. Podíamos pensar aqui em conjunto.
- Queres ser a nossa chefe?
- NÃOOOOOO. Pensamos todos, pensamos em conjunto, não precisamos de chefes para pensar.
- Se vamos fazer uma revolução temos que ter um chefe. Não achas, Laura?
- Não, não acho. “Não caminhe atrás de mim, posso não te guiar. Não andes á minha frente, posso não te seguir. Simplesmente anda ao meu lado e sê meu amigo.”
- Tens razão, Laura, não necessitamos de chefes para nada...

...
Dali em diante. os patinhos encontram-se muitas mais vezes debaixo do sobreiro. Outros patos foram-se juntando. Os carneiros lá entenderam que para pensar não necessitavam de um chefe, que esse havia sido o grande mal da quinta dos animais. Francisco deixou de apregoar às galinhas e passou a ouvir as outras opiniões. Até o Manuel se habituou a deixar o velho livro de capa vermelha em casa.
As regras da quinta eram feitas em conjunto e discutidas por todos os animais.
Os Coelhos tiveram que entender, de uma vez por todas, que a comida era para ser dividida por todos e não para arrecadar


A uma menina de nome Laura
(histórias sem pés, nem cabeça – Liberdade)

Outubro de 2011


2 comentários:

  1. Como dizia Antonio Machado o Caminho Faz-se Andando... será que por este andar Portugal chegará a algum lugar? Eu espero bem que sim! Para bem dos seus filhos. http://aventar.eu/2009/10/06/a-maquina-do-tempo-o-caminho-faz-se-caminhando/

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  2. hahahahhahahahahaha que história gira

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