"E se as histórias para crianças passassem a ser de leitura obrigatória para os adultos? Seriam eles capazes de aprender realmente o que há tanto tempo têm andado a ensinar?"
Saramago

terça-feira, 15 de julho de 2014



XVII





  O ovo encantado 


No princípio do princípio dos tempos, nos escuros bosques de carvalhos, quando a lua cheia abrilhantava a floresta, esta enchia-se de brilhos e sombras. O vento quente passava por entre as árvores, ribombando, assim, uma estranha música.

Foi numa destas noites que sete bruxas e sete fadas se encontram para dançar no bosque. Num passo de magia uma delas encontrou um ovo. Espantada interroga:

- Que é isto?
- Um ovo?
- Que tem dentro?
- Não sei, mas, certamente, uma forma de vida.
- Será pinto ou pato ou talvez pardal!
- Crocodilo ou serpente, quiçá simplesmente lagarto.
- Pode ser elefante ou búfalo ou apenas rato!
- Tigre ou leão? Hummm, provavelmente, gato!
- Ou aranha, mosquito, possivelmente, abelha….
- E porque não tubarão, carapau ou peixe rei?

As sete bruxas e as sete fadas dançavam em roda do ovo, tentando adivinhar o que havia dentro, quando uma delas diz inesperadamente:

- E se o encantássemos?
- Será ser dotado de amor.
- De ódio também.
- Te deixo a ganância.
- Te encanto com a generosidade.
- Eu te doto de arrogância.
- E eu com a humildade.
- Toco-te com a vaidade.
- Surpreendo-te com a simplicidade.
- Dou-te a preguiça.
- Cativo-te com a determinação.
- Enfeitiço-te com a cobardia.
- Fascino-te com a coragem.
- Aprisiono-te na ostentação.
- E eu compenso-te com discrição.

Depois do ovo encantado, as sete bruxas e as sete fadas continuaram a dançar, rindo muito com os seus encantamentos. Que nasceria daquele ovo?

De súbito e sem que se pudesse prever, a lua sumiu do céu, dando lugar ao sol, as sete bruxas desapareceram e as sete fadas fugiram. Por entre os carvalhos surge uma velha muito velha. Caminhava devagar, curvada pelo peso dos anos. Era a Mãe Natureza. O seu cajado toca no ovo e ela surpreendida diz:

- Um ovo! De que será? De pinto, pato, pardal, crocodilo, serpente, lagarto, elefante, rato, tigre, leão, gato, aranha, mosquito, abelha, tubarão, carapau ou peixe rei? - A Mãe Natureza fazia conjunturas sobre o novo ser que estaria dentro do Ovo, quando reparou que à sua volta havia pegadas de bruxas e fadas - Hummm, que pegadas são estas? Parece que houve festa de fadas e bruxas. Que terão elas aprontado?

O ovo parte-se e de dentro dele sai um menino que começa a chorar.

- Um menino - emociona-se a Mãe Natureza – que belo! Nasceu o Homem. Mas que poderei fazer para quebrar todos os feitiços das fadas e das bruxas? Hummm, deixa-me pensar… Ah! já sei. Eu te brindo com o livre arbítrio... De hoje em diante serás livre de escolher entre o amor e o ódio...

Liberdade

Setúbal, 15 de Julho de 2014 


quinta-feira, 6 de dezembro de 2012



XV 
Como se escreve uma história?

Para uma boa audição, montes e montes de imaginação,


XIV

Gosto de ti 


Esperava-o cá em cima, tocou para a saída, quando me viu correu, trapalhão. Antes da minha habitual pergunta “ que aprendeste hoje na escola ?” deu-me um abraço e disse: “gosto de ti em superlativo absoluto sintético “
Chorei…

sábado, 27 de outubro de 2012





XIII
A princesa feia 



Vamos mandar Nuno Crato dar uma volta
O ministro que tudo faz para que a escola deixe de ser um sitio alegre.
O ministro que tudo  faz para tirar as crianças com  mais dificuldade da escola 
a portaria 275- A tira as crianças do ensino especial da escola publica .




A escola é alegria, a escola é alegria!
É bom contar, um, dois, três,
Três meninas a saltar
A escola é alegria, a escola é alegria !
Junta-te a esta roda


sábado, 28 de julho de 2012



XII 
O Homem da corda

Dizem que quando se morre a alma liberta-se do corpo e vagueia pela obscuridade do Limbo, até encontrar um corpo que lhe sirva. E o que torna esta teoria plausível são as estranhas coisas que acontecem em noites de tempestade. Madeira a estalar, sombras que se agitam na noite... Ah, já me esquecia, também aquela inexplicável sensação de  déjà vu.
Dizem – mas não sabemos se é verdade – que é esta incerteza que torna as noites de tempestade tão aprazíveis (se estivermos em casa claro).

...

segunda-feira, 18 de junho de 2012


O MI do gato amarelo

( Desenho de Vanessa Lima)

XI



Era uma vez um gatinho amarelo, fofinho e lindo como todos os gatinhos. Mas o gatinho não sabia miar, em vez de miau miau, miau, ele dizia mi, mi, mi.
Todos os gatinhos dizem miau, miau, miau e não mi, mi, mi. Havia ali qualquer coisa de errada faltava o au, au, au.

sábado, 19 de maio de 2012



(desenho de José Pedro)


X
O pau que nada valia
 e
o boneco que não servia para nada


Bonifácio vivia perto de um bosque, que, como todos os bosques, era fresco e verde, de cheiros intensos e agradáveis. Bonifácio tinha uma vida simples. Fazia a sua horta vendia os produtos excedentes no mercado, o que lhe davam dinheiro suficiente para comprar o que necessitava.

domingo, 15 de abril de 2012



Meissa
IX
desenho de Leonor Abreu 


Parte I

Na fábrica reinava uma grande euforia. Iam ser distribuídos os prémios de produtividade. Sofia, essa estava radiante, jovem ainda ia receber pela oitava vez consecutiva o seu prémio. O seu IP, Índice de Produtividade era o mais elevado da fábrica. Sofia era admirada e invejada pelos colegas.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012


VIII
Pataky

foto tirada ada net 

Toda a gente sabe que o Leão é o rei da selva. Ao seu rugido, toda a selva se cala. Nem sequer a cigarra se atreve a cantar... Eu vivi em África, mas só uma vez ouvi o rugido do leão e, realmente, é imponente, aterrorizador o silêncio que se faz na selva... Mas se levantares a mão ao Leão ele foge. Isto é o que, nem toda a gente sabe...


_*_

Pataky é um macaquito alegre e feliz. Vive nas copas das árvores e, desde que não faltem bananas, a vida corre bem. Se, por qualquer motivo, as bananas começarem a faltar por aquelas bandas, Pataky muda de poiso e o assunto fica resolvido. O mundo é grande e Pataky sabe disso. Alegre e feliz lá por cima, assistindo, de camarote, às quezílias que acontecem cá por baixo, vai gozando a falta de sabedoria dos outros habitantes da selva. Muitos problemas há: é a Formiga que não para um segundo, o Cuco que não aceita os filhotes, a Lebre que quer correr mais que toda a gente. Pataky acha tudo aquilo uma perda de tempo, como se não bastasse o problema do prepotente Leão, que se julga um rei e que a todos manda calar com o seu potente rugido.

- Estás triste, Cigarra? – pergunta Pataky vendo a sua amiga Cigarra de barriga para cima, quase morta.
- Triste não. Estou esfomeada... ui ui, dói-me a barriga de tanta fome.
-  Ó Cigarra, vai comer em vez de estares para aí a gemer.
- Não tenho forças, cantei tanto toda a noite que não tive um segundo para procurar comida.
- Bem te ouvi. – responde Pataki com um sorriso – Alegras as nossas noites. Também te ouvi a discutir com a formiga, grande sovina, nem umas migalhinhas te deu...
- A formiga é uma parvalhona, é o que ela é, pensa que só ela trabalha, mas cantar é o meu trabalho. Como seria a selva sem o meu canto?
- Nem digas mais nada, acho que tens razão. Nesta selva nem tudo é prefeito, há coisas irritantes conclui Pataky – ando aqui a pensar numas alterações.
- Alterações? Hahahahhahahaha... Macaco! O rei é o Leão – gozou a Cigarra – hahahhahahaha.
- Veremos...

E lá foi Pataky, de ramo em ramo, sem mais se lembrar que a sua amiga Cigarra estava cheia de fome.
- Ui ui, alguém me dê umas migalhinha. Já não aguento mais – gemia a Cigarra.
E nisto, eis o majestoso rugido do Leão. Claro que se fez silêncio na selva. Bem, silêncio sim, mas não totalmente. A pobre da Cigarra continuava gemendo de fome.
- Ui ui, alguém me dê uma migalhinha. Já não aguento mais.
- Como te atreves, Cigarra, continuar a gemer na minha presença?
- Tenho fome e quando tenho fome fico sem medo. – argumentou a Cigarra.
O Leão, enfurecido, manda um segundo rugido. Minorca, aquela cigarra. Se não fosse isso já a tinha devorado.
- Cala-te, Leão, acabou o teu reinado. A partir de agora sou eu que mando.
Quem falava assim era Pataky. Lá de cima tinha assistido a tudo.
- Um macaco a fazer-me frente?
O Leão lambe os beiços e quando já estava pronto para devorar o macaco, eis que Pataky levanta a mão e diz:
- Para trás, Leão.
Surpreendido com o macaco, que tinha algo que ele, o Rei da selva, não tinha, um par de mãos, o Leão baixa o focinho e toma outro rumo.
Pataky olha para as suas mãos e dá uma gargalhada. Afinal o Rei era ele. Rei desta e de todas as selvas.

Mas seria Rei para todo o sempre?

(histórias sem pés, nem cabeça – Liberdade)

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

V
A Menina que não gostava de falar

Desenho de Rui Veleda

O Autismo é uma perturbação do desenvolvimento que afecta a comunicação. Muitas crianças dentro do espectro do autismo recusam-se a falar. Em Portugal  uma criança em cada mil está dentro do espectro do Autismo. As famílias não dão tréguas à luta contra o Autismo .
A história que eu vou contar é verídica e mostra bem que o amor vence todas as barreiras.”

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

III

A Gata Liberdade

(imagem da net)

II

Papoilas

(liberdade)






No princípio dos tempos, todas as papoilas eram amarelas da cor do sol, para que os homens não se esquecessem de transmitir calor e alegria aos seus semelhantes… Porém, um dia, certa rainha, caprichosa, mandou pintar todas as papoilas do seu reino de vermelho… 

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

I


O Caminho faz-se andando


(liberdade)




Da sua janela, a patinha Laura observava os carneiros em frente à manjedoura. Manuel, o Chefe dos carneiros, gritava:


- Os animais unidos não serão vencidos. Faremos greve. Temos direito a ter a manjedoura cheia.